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segunda-feira, 5 de maio de 2014

pancupadanakhanda

Os cinco agregados são dos temas mais presentes e básicos no buddhismo. E, talvez, dos mais difíceis de entender. Graças a nossa forma comum de conhecer o mundo, enxergando ‘coisas substanciais’, tendemos a naturalmente substituir o entendimento de um ‘eu substancial’ por um composto formado por ‘cinco agregados’ não menos substanciais.
Mas no buddhismo não é assim.
Uma frase citada por Richard Gombrich no livro ‘What The Buddha Thougth’, página 131, é potencialmente a frase epigráfica para toda a nossa jornada de compreensão pelo Buddhadahamma: “para o buddhismo não há substantivos, somente verbos”.*
O que isso significa? Significa que cada vez que pensamos em entidades estanques, ainda que como componentes de alguma outra coisa, estamos errando, estamos patinando, atolados no ponto do caminho que é o pântano da mente conceitual, com todo o seu rico, diverso e perigoso ecossistema.
Os cinco agregados “infectados pelo apego”, enquanto pensados como entidades, semelhantes a peças de um quebra-cabeça, permanecem “infectados”, que é como eu traduzo o ‘affected’ usado pelo bikkhu Anālayo no trecho abaixo extraído do livro 'From Grasping to Emptiness – Excursions into the Thought-world of the Pāli Discourses (2)', página 24, que me pareceu um maravilhoso desenvolvimento da frase candidata a epígrafe citada acima, no sentido de nos ajudar na jornada de corrigir nossa visão através da lente do entendimento e da reflexão.
Esta correção de ponto de vista me parece ser fundamental mesmo aos primeiros passos no Caminho prevenindo o risco de se enraizar na lama. 


Devido a esta noção inerente de um sujeito substancial capaz exercer controle, os cinco agregados [infectados por] apego são experienciados como corporificações da noção 'eu sou'. Do ponto de vista comum, o corpo material é 'onde eu estou', sentimentos/sensações são 'como eu estou', percepções são 'o que eu estou' (percebendo), volições são 'por que eu estou' (agindo), e consciência é 'por meio do que eu sou' (experiencio). Deste modo, cada agregado oferece sua própria contribuição para o afirmar da ilusão tranquilizadora 'eu sou'. Tais noções 'eu sou' são, contudo, superimposições errôneas por sobre a experiência, carregadas do senso de um sujeito autônomo e independente que consegue obter ou rejeitar objetos substanciais distintos.**

Os cinco agregados do ponto de vista sugerido pelo texto se tornam muito mais presentes e facilmente observáveis na nossa vida ordinária do que se pensados como entidades a serem 'procuradas' enquanto sentados em meditação formal, não acham?


*for Buddhism there are no nouns, only verbs.       


**Due to this inherent notion of a substantial subject able to exert  control,  the  five aggregates  [affected  by]  clinging  are  experienced  as  embodiments  of  the  notion  `I  am'.  From the worldling's point of view, the material body is `where I am', feelings are `how I am', perceptions are `what I am' (perceiving),  volitions  are  `why  I  am'  (acting),  and  consciousness  is `whereby I am' (experiencing). In this way, each aggregate offers its own contribution to enacting the reassuring illusion `I am'.  Such  `I  am'  notions  are  but  erroneous  superimpositions on experience, conveying the sense of an autonomousand independent subject that reaches out to acquire or reject discrete substantial objects.

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